Homilia: V Domingo de Páscoa - Ano A

Santo Ambrósio
Tratado sobre o bem da morte
 “O lugar: junto ao Pai; o caminho: Cristo”

Caminhemos destemidamente em direção ao nosso Redentor, Jesus; caminhemos destemidamente para aquela assembleia dos santos, para aquela reunião dos justos. Pois nós caminharemos ao encontro com nossos pais, ao encontro com os mentores da nossa fé: e talvez, se não pudermos mostrar obras, que a fé venha em nosso auxílio, a nossa origem nos defenda. Porque o Senhor será a luz de todos; e aquela luz verdadeira que ilumina a todo homem resplandecerá sobre todos. Nos encaminharemos para aquele lugar onde o Senhor Jesus preparou moradas para os seus humildes servos, para que onde Ele esteja, estejamos também nós. Esta foi sua vontade. Quais sejam estas moradas, ouve-o dizer: Na casa de meu Pai há muitas moradas. E qual é sua vontade? Voltarei, disse, e vos levarei comigo, para que onde Eu estou, estejais vós também.
Porém, me contestarás que falava unicamente aos discípulos, que somente a eles lhes prometeu as muitas moradas. Então, somente as preparava para os onze? E como se cumprirá aquilo de que virão de todas as partes e se sentarão no Reino de Deus? Será porque podemos duvidar da eficácia da vontade divina? Porém, em Cristo, querer e fazer são uma só coisa. Com frequência assinalou-lhes o caminho, indicou-lhes o lugar, dizendo: E para onde eu vou, vós já conheceis o caminho. O lugar: junto do Pai; o caminho: Cristo, como Ele mesmo disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por mim.
Penetremos por este caminho, mantenhamos a verdade, vamos após a vida. É o caminho que conduz, a verdade que confirma, a vida que se entrega. E para que conheçamos seus verdadeiros planos, ao final do discurso acrescenta: Pai, este é meu desejo: que aqueles que me confiaste estejam comigo onde Eu estou, e contemplem a minha glória. Pai: esta repetição é confirmatória, o mesmo que aquilo: Abraão, Abraão! E em outro lugar: Eu, eu era quem por minha conta apagava os teus crimes. De forma muito bela pede aqui o que antes tinha prometido. E este primeiro prometer e em seguida pedir, e não ao inverso, primeiro pedir e depois prometer, é um prometer como juiz do dom, consciente de seu próprio poder; pede ao Pai como intérprete da piedade. Prometeu primeiro, para que conheças seu poder; depois pediu, para que percebas sua piedade. Não pediu primeiro e depois prometeu, para que não parecesse que prometia aquilo que previamente tinha alcançado, mas que concedia o que antes tinha prometido. Nem consideres supérfluo que pedisse, pois desta maneira te expressa sua comunhão com a vontade do Pai, o qual é uma prova de unidade, e não de aumento de poder.
Seguimos-te, Senhor Jesus; mas chamamos para que possamos seguir-te, já que sem ti ninguém pode subir. Porque tu és o caminho, a verdade, a vida, a possibilidade, a fé, o prêmio. Recebe aos teus como o caminho, confirma-os como a verdade, vivifica-os como a vida.



Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 102-103.

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