UM DIA COM 192 HORAS

Cada dia tem 24 horas. Mas há um dia — em Outubro — com 25 e outro dia — em Março — com 23 horas. E, depois, há o dia de Natal e este dia de Páscoa com 192 horas. Não é engano, é a verdade. A Páscoa, tal como o Natal, é um dia com 192 horas. É um dia que se estende por oito dias, até hoje. Aliás, já Santo Atanásio, no século IV, chama ao Domingo da Páscoa o «grande Domingo». Este «grande Domingo» converte-se em «Domingo grande». Como é que um Domingo tão intenso não haveria de se transformar num Domingo extenso?

É por isso que, desde o Domingo da Páscoa até hoje, o prefácio da oração eucarística menciona «este dia [e não «este tempo»] em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. E é por isso também que os salmos de Laudes, Vésperas e Completas são os mesmos de Domingo da Páscoa da Ressurreição.

Assim sendo, não estamos no tempo depois da Páscoa. De resto, um cristão nunca pode viver depois da Páscoa. Um cristão tem de estar sempre em Páscoa. Em bom rigor, hoje ainda estamos no Dia da Páscoa. É este extenso — e muito intenso — Dia da Páscoa que abre o Tempo Pascal, que nos vai levar até ao Pentecostes. Este Tempo Pascal não é um tempo que sucede à Páscoa. É um tempo que celebra a Páscoa e que nos conduz ao tempo em que se há-de vivenciar a Páscoa, isto é, todo o tempo da nossa vida.


O Tempo Pascal é, pois, inseparável de uma Vida Pascal, de uma vida inteiramente «pascalizada». A Páscoa acende uma luz que não se apaga inaugurando um dia que não se extingue.

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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