SÓ JUNTO DE JESUS SE FAZ LUZ

Continuava a ser escuro para todos, como se deduz do plural usado no relato de João: «Levaram o Senhor do túmulo e não sabemos onde O puseram» (Jo 20, 2). Suspeitavam de um assalto, de um roubo. Por conseguinte, o estado de desorientação é total.

Sem Jesus ou com um Jesus presumivelmente morto, não há orientação à vista. De resto, é impressionante notar como, neste nove versículos, a palavra «túmulo» é mencionada sete vezes. O que domina é, pois, a ideia de que Jesus está morto. Há uma atitude de procura, mas trata-se da procura de um Jesus morto.

Eis que nos pode acontecer o mesmo que aconteceu a Maria Madalena: anunciar Jesus, mas anunciar um Jesus morto, um Jesus de Quem não sabemos sequer onde está. Nessa altura, é preciso, como fizeram os discípulos: voltar a correr ao encontro de Jesus (cf. Jo 20, 4). Só junto de Jesus se faz luz. Só junto de Jesus se faz luz sobre Jesus. Não é Jesus a luz (cf. Jo 8, 12)? Por conseguinte, só junto de Jesus aprendemos a crer em Jesus e a conhecer Jesus.

O Discípulo Amado, que estivera com Jesus até ao fim (cf. Jo 19, 26), vai à frente. Pedro, que não esteve com Jesus até ao fim, vai atrás. É por isso que, como bem notou D. António Couto, Pedro tem de seguir quem seguiu Jesus. Na Igreja inteira, o amor tem a dianteira. O Discípulo Amado chega primeiro ao túmulo: inclina-se, vê, mas não entra (cf. Jo 20, 6). Porque o amor é paciente (cf. 1Cor 13, 4), é capaz de esperar até por aqueles que vacilam no amor. Enfim, há sempre novas oportunidades no amor.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.



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