,

SEMANA ESPECIAL (esta)


A esta semana que vem os antigos chamavam «semana pascal». De facto, é a semana que nos conduz à celebração da Páscoa. A antiga liturgia de Milão dava também a esta semana o nome de «semana autêntica» por ser a semana que assinala os verdadeiros «trabalhos de Jesus». E não há dúvida de que, nos «trabalhos» derradeiros como em toda a Sua vida, Jesus recusa tudo o que é falso, mentiroso ou apenas aparente. Jesus vive — e morre — para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37).

Não admira, portanto, que os cristãos olhassem, desde cedo, para esta semana como uma «semana santa», uma «semana grande» e uma «semana maior». Tudo o que nela acontece é santo, é grande, é maior.

Nela ocorrem os acontecimentos que mudaram a história e que hão-de mudar a nossa vida. Podemos dizer que esta é também a «semana primeira» que inaugura os tempos últimos, os tempos definitivos em que vivemos.

No Domingo de Ramos, não procuramos apenas recordar a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Procuramos sobretudo dar testemunho público da nossa fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

Já agora, refira-se que este Domingo também chegou a ser conhecido como «Capitulavium», que significa «lavagem das cabeças». É que, neste dia, os que iam ser batizados na Vigília Pascal, no sábado seguinte, lavavam solenemente a cabeça numa cerimônia pública.

Em Jerusalém, a Procissão dos Ramos começava pelas 13 horas, no Monte das Oliveiras. Cantavam-se hinos e salmos, e faziam-se leituras da Sagrada Escritura. Pelas 17 horas, era lido o Evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém. Nessa altura, todos, com ramos de oliveira e palmeira, saíam em direção à cidade, cantando e rezando.

A Quaresma termina na Quinta-Feira Santa. Na tarde desse dia, com a Missa da Ceia do Senhor, tem início o chamado Tríduo Pascal, que vai até às Vésperas do Domingo da Páscoa da Ressurreição.

A Sexta-Feira Santa e o Sábado Santo são os dois únicos dias em que não há celebração da Eucaristia.
Na Sexta-Feira Santa, em que se assinala a Morte de Jesus, a Cruz ocupa o lugar central. Na tarde desse dia, celebra-se a Paixão do Senhor. Também se recomenda que, de manhã, se recite com o povo o Ofício de Leitura e Laudes. O mesmo se aconselha para a manhã de Sábado Santo.

O Sábado Santo, no qual contemplamos a descida de Jesus à morada dos mortos, não é um dia «a-litúrgico». Nele tem lugar a Liturgia das Horas. Sugere-se que, ao longo deste dia, se coloque na igreja uma imagem de Cristo crucificado ou sepultado ou também uma imagem das dores de Nossa Senhora.

A Vigília Pascal, ainda que cronologicamente comece no sábado, já pertence ao Domingo da Páscoa. É que, como sabemos, para os judeus, o dia começa quando o sol se põe no dia anterior. Pelo que a noite de sábado já é Domingo. É importante que nos habituemos a marcar presença na Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias como diziam os antigos.

E, como é óbvio, não esqueçamos a Missa do Dia da Páscoa. Desde o início, é na Missa que a Igreja celebra a Páscoa de Jesus. Tenhamos sempre presente que a Visita Pascal não é uma substituição da Missa, mas uma extensão da Missa. É depois da Missa que, com a Cruz na mão, vamos testemunhar, de casa em casa, a vitória do Crucificado. Uma santa Semana Santa para todos!

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.


You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante