FOI DE CORRERIA A MANHÃ DAQUELE DIA

Eis uma manhã agitada, como agitadas são tantas das nossas manhãs. A manhã da Ressurreição foi uma manhã de agitação. A manhã daquele dia foi uma manhã de correria. Maria Madalena corre desde o túmulo até junto de Pedro e do Discípulo Amado (cf. Jo 20, 2). Por sua vez, Pedro e o Discípulo Amado também correm até ao túmulo (cf. Jo 20, 4).

Muito mais tarde, quando faz este relato, o evangelista tem o cuidado de anotar que aquele era não somente um «outro dia», mas o «primeiro dia» (cf. Jo 20, 1). Tratava-se do «primeiro dia» não apenas de uma nova semana, mas de uma nova vida. Aliás, esta alusão à «semana» pode ser entendida em comparação com a semana da primeira criação, relatada no Gênesis (cf. Gén 1, 1-2, 3). Agora, estamos no «primeiro dia» da nova criação, no «primeiro dia» da nova humanidade.

À semelhança do que aconteceu na primeira criação (cf. Gén 1, 3-5), também a primeira obra de Deus na nova criação é a luz. Segundo o relato do Livro do Gênesis, a terra no início estava escura, dominada pelas trevas (cf. Gén 1, 2). Também agora e apesar de já ser manhã — altura em que já costuma haver alguma luz —, «ainda estava escuro» (Jo 20, 1).
Esta escuridão é mais espiritual que ambiental. Onde estava escuro não era no exterior; era no interior. Era dentro de Maria Madalena — e de todos os outros — que persistia a escuridão. No seu coração, ainda era noite, ainda não tinha amanhecido. Como compreender o que tinha acontecido?


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.


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