É PRECISO METER AS MÃOS NAS FERIDAS

Os discípulos, apesar da noite, voltam de Emaús para Jerusalém (cf. Lc 24, 33). Não são os 12 quilómetros que os inibem. Quem tem os olhos abertos e um coração a arder é capaz de enfrentar qualquer obstáculo. Quando a missão acontece, o próprio Jesus (re)aparece. Naquela noite, em Jerusalém, com os discípulos regressados de Emaús, Jesus apresenta-Se de novo no meio da comunidade com o dom da paz (cf. Lc 24, 36).

Entre o espanto e o medo, chegaram a confundir Jesus com um espírito (cf. Lc 24, 37). Hoje em dia, também entre o espanto e o medo, não falta quem confunda alguns espíritos com Jesus. Mas Jesus desfaz todos os medos, pelo que, como cantava Sta. Teresa, não há razão para estarmos perturbados. Jesus pede aos discípulos que olhem para Ele e O toquem (cf. Lc 24, 39). Pede que fixem a atenção nas Suas mãos e nos Seus pés, que contêm as marcas da paixão e da morte.

A Ressurreição não é a mera sobrevivência da «causa de Jesus». É Ele próprio que está vivo, transformado. A Ressurreição não é uma ilusão, mas uma transformação. Jesus como que nos diz que este é o momento de tocar nas Suas feridas, nas Suas feridas espalhadas em tantas feridas. A Ressurreição não é para quem evita as feridas, mas para quem mete as mãos em todas as feridas.

Jesus ressuscitado não está ausente nem sequer distante, longe do mundo em que os discípulos continuam a caminhar. Jesus continua, pelo tempo fora, a sentar-Se à mesa com os discípulos, a estabelecer laços de familiaridade e de comunhão com eles, a partilhar os seus sonhos, as suas lutas, as suas esperanças, as suas dificuldades, os seus sofrimentos. Naquela noite, Jesus pede «alguma coisa para comer»(lc 24, 41). Em cada dia, é Jesus quem Se nos dá a comer: é Ele o nosso alimento.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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