ATÉ AO ÚLTIMO ENTARDECER, NENHUM DIA SE PODE PERDER

É na refeição que Jesus ressuscitado revela aos discípulos o sentido profundo das Escrituras. A Escritura não só encontra em Jesus o seu cumprimento como também o seu intérprete. É à volta de Jesus ressuscitado que a Igreja se deve reunir para escutar a Palavra que sustenta e para comer o Pão que alimenta. É preciso estar atento e disponível: atento para acolher e disponível para anunciar. Os discípulos, alimentados pela Palavra, recebem de Jesus a missão de dar testemunho diante de «todas as nações»(Lc 24, 47).

Nós estamos no mundo para anunciar a morte e a ressurreição de Jesus. Tal como os discípulos da primeira hora, também nós somos chamados a ser testemunhas em todas as horas (cf. Lc 24, 48): a ser testemunhas dos acontecimentos de Jesus e a ser testemunhas da pessoa de Jesus.

A finalidade da missão é pregar o «arrependimento» e o «perdão dos pecados» (cf. Lc 24, 47): em toda a parte e a toda a gente. Eis a síntese da nossa missão: propor uma transformação da vida, uma transformação da vida de cada pessoa e uma transformação da vida do mundo. Ninguém pense que não precisa de se transformar. Ninguém pense que já está totalmente transformado. Que ninguém se acomode nem se aquiete. A missão é para incomodar e para, sadiamente, inquietar. Só no fim é que podemos descansar.

Como refere D. António Couto, em Emaús há uma igreja com um belo e significativo poema, que reza assim: «Todos os dias/ Te encontramos/ no caminho./ Mas muitos reconhecer-Te-ão/ apenas/ quando/ repartires conosco/ o Teu pão./ Quem sabe?/ Talvez/ no último entardecer». Vamos, então, sair de novo em missão. Nenhum dia se pode perder até que chegue esse «último entardecer»!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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