QUE FAZEMOS DA ETERNIDADE?


Um dos nossos erros mais graves foi identificado pelo Concílio Vaticano II. Trata-se do «divórcio entre a fé e a vida». Nem sempre conseguimos envolver a fé na vida. E mostramos uma teimosa dificuldade na hora de abraçar a vida com a fé. Quem não sente necessidade de uma vida mais fidelizada e de uma fé mais vitalizada? Não basta, com efeito, uma fé professada. É fundamental testemunhar uma fé inteiramente vivida.

Do credo cristão faz parte a vida eterna. Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». 

E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir». Não falta, aliás, quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade.

E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade? Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância. Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé.

Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. Pensamos no futuro, falamos do futuro e olhamos para o futuro. Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido. Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado.

Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. O nosso horizonte só pode ser a «cidade futura» (Heb 13, 14). É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade. Que é o tempo para lá do tempo.

Estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir. A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26)!

Frei Francisco Bezerra do Nascimento


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