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O MAIS VIVIDO É (TAMBÉM) O MAIS SOFRIDO

Da Liturgia da Palavra deste segundo Domingo da Quaresma vem um convite dirigido a um discípulo de São Paulo e que acaba por ser também endereçado a cada um de nós. «Sofre comigo pelo Evangelho» (2Tim 1, 8). Eis o que foi dito a Timóteo, eis o que nunca deixa de ser dito a cada um de nós. Mas será que nós estamos dispostos a sofrer pelo Evangelho?

Muitas vezes, já pouco caso fazemos de o ouvir e de o anunciar. Que disposição teremos para sofrer por ele? Que disponibilidade teremos para sofrer com quem sofre pelo Evangelho? Na era do conforto, gostamos de tudo o que é fácil. Mas esquecemos que o mais vivido acaba por ser sempre o mais sofrido. Quem não está disposto a sofrer será que está disposto a viver?

Acontece que não estamos sós. Estamos sempre «apoiados na força de Deus» (1Tim 1, 8). É Ele que nos salva. É Ele que nos chama a sermos santos (cf. 1Tim 1, 9): não por aquilo que nós possamos fazer, mas unicamente por Sua graça (cf. 1Tim 1, 9). Esta graça foi-nos dada pelo Filho de Deus, por Jesus Cristo. Foi Ele que, na Sua morte, destruiu a morte. Foi Ele que, na Sua morte, fez brilhar a vida (cf. 1 Tim 1, 10).


O paradoxo nunca nos deixa: nem como pessoas nem como discípulos de Cristo. É preciso dar a vida para ganhar a vida. É preciso morrer para ressuscitar. No fundo, é preciso olhar para a vida a partir de Deus e não a partir de nós. Será que estamos dispostos a deixar-nos desassossegar por Deus?


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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