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FALTA-NOS A OUSADIA DE DEIXAR ANTES DE PARTIR


Abraão é o primeiro grande modelo bíblico de quem se deixa desassossegar por Deus. É de Deus a voz que o manda deixar a sua terra e a sua família (cf. Gén 12, 1). Nem sequer lhe é dito para onde ir: «Parte para o país que Eu te indicar» (Gén 12, 1). O que vale é a garantia de Deus. A única segurança é a Palavra de Deus.

O nosso problema é que andamos, afanosamente, à procura de todo o gênero de seguranças. Falta-nos a ousadia de deixar antes de partir. Às vezes, até nos dispomos a partir, mas levando tudo o que é nosso. Esquecemos que Deus começa por pedir a Abraão que «deixe».

Ao iniciar esta segunda semana da Quaresma, será que já nos dispusemos a «deixar» a nossa vida passada? Edmund Burke avisava que «nunca se pode construir o futuro pelo passado». Por muito importante que seja o passado — e é —, é para o futuro que caminhamos. Ou, melhor, para o futuro que Deus nos encaminha.

A Páscoa é a celebração da vida nova, da vida que corta com muito do nosso passado. Corta sobretudo com aquele passado que nos escraviza, que nos aprisiona. A novidade da Páscoa em nós tem o nome de Batismo e o sobrenome de Reconciliação. Quando notamos que nos perdemos da novidade do Batismo, temos o Sacramento da Reconciliação, essa «segunda tábua de salvação depois do Batismo». Não desperdicemos mais aquilo que Deus põe à nossa disposição.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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