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A CEGUEIRA DE QUEM OLHA, MAS NÃO VÊ

Todavia, é preciso ter presente que as trevas têm uma força muito grande. A sua resistência à luz é muito forte. São Paulo diz para nos comportarmos como filhos da luz (cf. 5, 8) e para não tomarmos parte nas obras das trevas (cf. Ef 5, 11). Temos de contar, porém, com o contínuo assédio das trevas.

Os adversários de Jesus corporizam a obstinada resistência das trevas à luz. Há sempre quem não queira ver, mesmo quando a luz está a aparecer. O maior pecado é não querer ver quando os olhos estão abertos: «Uma vez que dizeis “nós vemos”, o vosso pecado permanece» (Jo 9, 41).

A vida ensina-nos que não é só com os olhos fechados que estamos impedidos de ver. Mesmo com os olhos abertos, há muita coisa que não é vista, que não é sequer visível. Será que o essencial está indisponível para os nossos olhos? «O essencial — garante Saint-Exupéry — é invisível aos olhos». Em relação ao essencial, dificilmente vemos mesmo quando olhamos (cf. Mt 13, 13). Dá a impressão de que nem chegamos a cegar; parece que já nascemos cegos. No fundo, sentimo-nos cegos que, olhando, não vêem.


Se o olhar exterior é insuficiente, sobrevirá algum olhar interior que supra essa insuficiência? Haverá olhos por dentro em condições de fornecer o que os olhos de fora se mostram incapazes de oferecer? O referido Saint-Exupéry assegurava que «só se vê bem com o coração». Não espanta, por isso, que Bento XVI tenha defendido que o programa do cristão é «um coração que vê». De resto, já Santo Agostinho se apercebera de que Deus «só pode ser visto com o coração». Foi para poder ser visto também com os olhos que o Verbo Se fez carne.

Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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