OXALÁ SEJAIS PLENIFICADOS COM TODA A PLENITUDE DE CRISTO!

Todos os que são considerados dignos de se tornarem filhos de Deus e renascerem do
alto no Espírito Santo, trazendo em si a Cristo – que os ilumina e os regenera – são
guiados de diversos modos pelo Espírito e conduzidos invisivelmente pela graça, tendo
no coração a paz espiritual.

Às vezes, desfazem-se em lágrimas e gemidos pela humanidade, pelo gênero humano
elevam preces e choram, ardendo de afeto por todos os homens.

Outras vezes, de tal maneira se inflamam pelo Espírito, com tamanho entusiasmo e
amor, que, se possível fosse, acolheriam em seu coração todos os homens, sem distinção
entre bons e maus.

Entretanto, outros, pela humildade dos seus espíritos, colocam-se abaixo de todos,
julgando-se os mais abjetos e desprezíveis.

Por vezes, são guardados pelo Espírito numa alegria inefável.

Ora, eles são como um valente, que, revestido com toda a armadura do rei, desce para o
combate e luta contra os fortes inimigos e os vence. Assim o homem espiritual, munido
com as celestes armas do Espírito, ataca os adversários e, no fim da peleja, calca-os aos
pés.

Ora, em absoluto silêncio, repousa a alma em paz e sossego, entregue unicamente ao
gozo espiritual e a uma paz indizível, no perfeito contentamento.

Por vezes, por certa compreensão e sabedoria inefável e conhecimento secreto do
Espírito, é instruído pela graça sobre coisas que a língua não consegue dizer.

De outras vezes, é como qualquer outra pessoa.

E assim a graça habita e age de várias maneiras na alma, renovando-a conforme a
vontade divina, provando-a de modos diferentes para torná-la íntegra, irrepreensível e
pura diante do Pai do céu.

Oremos, então, também nós a Deus, oremos no amor e imensa esperança de que ele nos
concederá a celeste graça do dom do Espírito. A nós também o próprio Espírito nos
governe e leve a realizar toda a vontade divina e nos restaure com a riqueza de sua paz a
fim de que, conduzindo-nos e fazendo-nos viver sempre mais em sua graça e progresso
espiritual, nos tornemos dignos de alcançar a perfeita plenitude de Cristo, segundo disse
o Apóstolo: Para que sejais plenificados com toda a plenitude de Cristo.

Das Homilias, de um autor espiritual do IV século
(Hom. 18,7-11: PG34,639-642)

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