Inanidade dos prazeres e da sabedoria humana

1Eu disse a mim mesmo:
“Pois bem, eu te farei experimentar a alegria
e gozar a felicidade!”
Mas também isso é vaidade.
2 Do riso, eu disse: “Tolice”,
e da alegria: “Para que serve?”
3Ponderei seriamente entregar meu corpo ao vinho,
mantendo meu coração sob a influência da sabedoria,
e render-me à insensatez,
para averiguar o que convém aos filhos dos homens fazer
debaixo do céu durante os breves dias da sua vida.
12Pus-me então a examinar a sabedoria,
a tolice e a insensatez:
“Que fará o sucessor do rei?
O que já haviam feito”.
13Observei que a sabedoria
é mais proveitosa do que a insensatez,
assim como a luz aproveita mais que as trevas.
14O sábio tem os olhos no rosto,
o insensato caminha nas trevas.
Porém, compreendi que ambos terão a mesma sorte.
15Por isso disse a mim mesmo:
“A sorte do insensato será também a minha;
para que então busquei mais sabedoria?”
E concluí comigo mesmo:
“Isso também é vaidade”.
16Não há lembrança duradoura do sábio,
e nem do insensato,
pois nos anos vindouros tudo será esquecido:
tanto morre o sábio como o ignorante.
17E por isso detesto a vida,
pois vejo que é mal que se faz debaixo do sol:
tudo é vaidade e frustração.
18Detesto todo o trabalho
com que me afadigo debaixo do sol,
pois tenho que deixar tudo ao meu sucessor,
19e quem sabe se ele será sábio ou insensato?
Todavia, ele será dono
de todo o trabalho com que me afadiguei
com habilidade debaixo do sol;
e isso também é vaidade.
20E meu coração ficou desenganado
de todo o trabalho com que me afadiguei debaixo do sol.
21Enfim, um homem que trabalhou com inteligência,
competência e sucesso,
vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro
que em nada colaborou.
Também isso é vaidade e grande desgraça.
22De fato, que resta ao homem
de todos os trabalhos e preocupações
que o desgastam debaixo do sol?
23Toda a sua vida é sofrimento,
sua ocupação, um tormento.
Nem mesmo de noite repousa o seu coração.
Também isso é vaidade.
24Nada é melhor para o homem do que comer e beber,
desfrutando do produto do seu trabalho;
e vejo que também isso vem da mão de Deus,
25pois quem pode comer e deliciar-se
sem que isso venha de Deus?
26Ao homem do seu agrado
ele dá sabedoria, conhecimento e alegria;
mas ao pecador impõe como tarefa
ajuntar e acumular para dar a quem Deus quiser.
Isso também é vaidade e frustração.

Do Livro do Eclesiastes             2,1-3.12-26

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