AS "CRUZES DA VIDA" E A VIDA DA CRUZ...

“Senhor Padre. Sou cristão, mas não me faltam problemas nem perseguições, até pelo simples facto de eu tentar ser coerente com a minha fé. O que é que se está a passar de errado comigo? Pelo facto de sermos cristãos a vida não devia de se tornar mais fácil e mais pacífica?”.

Caríssimo,

Em primeiro lugar, a vida não é fácil para ninguém: é sempre um grande desafio! E isso, em princípio, não tira beleza nenhuma à vida, nem nos pode fazer perder o entusiasmo.

Tu agora és cristão. És parte deste corpo que é a Igreja. E a Igreja, que está intimamente e realmente unida a Cristo (dizemos que é o Corpo Místico de Cristo), só pode esperar para si um destino igual ao destino da Cabeça da qual é Corpo. Por isso, espelhando e reflectindo na nossa vida a própria vida de Jesus, a sua entrega, e certamente também alguma coisa da sua Paixão e Morte, está-nos também garantido o dom da sua ressurreição... o dom de uma vida que nada nem ninguém nos pode tirar. De facto esta nossa vida é ainda apenas uma sombra do que é verdadeiramente a Vida! Para além disso, não nos faltam as ajudadas (as graças) especialmente por meio dos sacramentos, para vivermos realmente a nossa vida em Cristo... ao modo de Jesus.

A nossa vida não é uma sucessão de derrotas e de vitórias... até à derrota final. Nós, pela profunda confiança que temos em Jesus (a confiança é o outro nome da fé), podemos viver e afrontar com fé e esperança, mesmo as dificuldades e cruzes da nossa vida, porque sabemos que, em Jesus, a nossa vida tem Sentido! Jesus libertou-nos da aparente escravidão do mal e do absurdo... libertou-nos de uma vida que desemboca no não-sentido. A nossa vida tem Sentido! Pode haver motivo maior de alegria e de esperança?

E porque é que temos nós esta profunda confiança em Jesus? Porque O vimos com os nossos olhos, tocámo-Lo com as nossas mãos, comemos com Ele, fomos por Ele curados... perdoados... ensinados. Ele abriu-nos os olhos, a inteligência e o coração!

Vimo-Lo fazer milagres incríveis, seguimo-Lo no meio de multidões incontáveis, sedentas de esperança e de amor... ávidas de poder encontrar um sentido para a vida.

Vimo-Lo, finalmente, ser traído... vimos a confiança com que se entregou sem resistência. Vimo-Lo humilhado... açoitado, coroado de espinhos... Vimo-Lo morrer crucificado e praticamente abandonado sobre o Calvário, e ficámos desesperados porque, afinal, parecia que tudo o que Jesus tinha dito e feito não passava de um bluff....

Mas, quando já pensávamos “abandonar o barco”, Ele apareceu-nos VIVO! Glorioso, resplandecente de luz... E não era apenas uma “visão espiritual”, uma energia... um fantasma: chegou mesmo a comer connosco! Deu-nos o dom do seu próprio Espírito, e ouvimo-Lo prometer-nos a mesma vida em cheio que nós víamos n’Ele e que n’Ele era tão evidente!

Depois de tudo isto, percebemos ainda melhor porque é que quando Ele curava alguém, dizia sempre no fim: “a tua fé te salvou!”. É este também o teu caminho. Confia totalmente n’Ele, e fica em paz, porque não te enganarás no caminho...

Pe. Fernando António, SJ

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