A consolação do sábio


8,5 Quem observa o mandamento nenhum mal sofrerá; o coração do sábio conhece o tempo e o julgamento. 6Pois, para todas as coisas, há um tempo e um julgamento. A infelicidade do homem é grande 7porque ele não sabe o que vai acontecer: quem pode anunciar-lhe como há de ser? 8O homem não tem poder sobre o vento, nem para reter o vento; ninguém tem poder sobre o dia da morte, e nessa guerra não há trégua; nem a impiedade salvará quem a pratica.
        9Vi essas coisas todas, ao aplicar a minha atenção a tudo o que se faz debaixo do sol, enquanto um homem domina outro para arruiná-lo. 10Vi também os ímpios serem levados à sepultura; retirados do lugar santo, caíram no esquecimento, na cidade, por assim terem agido. Isso também é vaidade. 11Uma vez que não se executa logo a sentença contra as obras más, o coração dos filhos dos homens está sempre voltado para praticar o mal. 12Um pecador prolonga a sua vida, mesmo que cometa cem vezes o mal; mas eu sei também que acontece o bem aos que temem a Deus, porque têm o temor diante de si. 13Não acontece o bem ao ímpio e, como a sombra, não irá prolongar seus dias, porque não tem o temor de Deus. 14Há outra vaidade que se faz sobre a terra: há justos que são tratados conforme a conduta dos ímpios e há ímpios que são tratados conforme a conduta dos justos. Mas eu julgo isso vão. 15E eu exalto a alegria, pois não existe nada de bom para o homem debaixo do sol, a não ser o comer, o beber e o alegrar-se; é isso que o acompanha no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol. 16Após aplicar meu coração a conhecer a sabedoria e a observar a tarefa que se realiza sobre a terra, pois os olhos do homem não veem repouso nem de dia nem de noite, 17observei toda a obra de Deus e vi que o homem não é capaz de descobrir toda a obra que se realiza debaixo do sol; por mais que o homem trabalhe pesquisando, ele não a descobrirá; e mesmo que um sábio diga que conhece, nem por isso é capaz de a descobrir.  
        9,1 Em tudo isso eu refleti com atenção e curiosamente entendi que os justos e os sábios, com suas obras, estão nas mãos de Deus. O homem não conhece o amor nem o ódio; ambos estão diante dele.
2Assim, todos têm um só destino,
tanto o justo como o ímpio,
o bom como o mau,
o puro como o impuro,
o que sacrifica como o que não sacrifica.
O justo como o pecador,
o que jura como o que evita o juramento.
        3Este é o mal que existe em tudo o que se faz debaixo do sol: que o mesmo destino toca a todos. O coração dos filhos dos homens está cheio de maldade e de tolice enquanto vivem; e depois, o seu fim é junto aos mortos. 4Ainda há esperança para quem está ligado aos vivos, pois um cão vivo vale mais do que um leão morto. 5Os vivos sabem ao menos que irão morrer; os mortos, porém, não sabem, e nem terão recompensa, porque a sua memória cairá no esquecimento. 6Seu amor, ódio e inveja terminaram, e eles nunca mais participarão no que se faz debaixo do sol.
7Vai, come teu pão com alegria
e bebe gostosamente o teu vinho,
porque Deus já aceitou as tuas obras.
8Que tuas vestes sejam brancas em todo o tempo
e nunca falte óleo perfumado sobre a tua cabeça.
            9Goza da vida em companhia da mulher que amas em todos os dias da vida passageira; porque esta é a tua porção na vida e no trabalho que suportas debaixo do sol. 10Tudo o que te vem à mão para fazer, faze-o com empenho, pois na mansão dos mortos, para onde vais, não existe obra, nem reflexão, nem sabedoria e nem ciência.

Do Livro do Eclesiastes                               8,5–9,10

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